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“O que temos que aprender a fazer, aprendemos fazendo.”
por Aristóteles

Colunas

09/07/10

EXPRESSÃO: Paredes Internas

Por Márcio Seriqueti

Sabe aquela parede do teu quarto que precisa de uma mão de tinta? Duas talvez para não ficar manchada a pintura. Pois é. Em determinado momento da vida as pessoas deveriam pintar as paredes do quarto, da sala, da fachada, mas especificamente do quarto. É, não é lá onde se passa uma boa parte do tempo? Seja no telefone, seja deitado, sentado, dormindo, lendo, meditando, transando, ouvindo música, tocando, rindo, chorando, enfim. É como se um pedaço da gente estivesse ali. Não nas coisas materiais e sim naquelas em que só as paredes sabem.
Pois todo mundo deveria pintar a parede do seu quarto em determinado momento da vida. Seja para lembrar ou seja para esquecer. Para apagar. Como se fosse querer tirar da memória alguma coisa que te incomoda. Para, a partir daquele momento, começar a viver de uma maneira diferente, ou pelo menos tentar. Ou pintar para tentar esconder o teu passado. Mas não fica achando que simplesmente passar a tinta por cima da velha possa mudar alguma coisa. A gente muda quando não nos damos conta. É como se fosse uma coisa do nada. E, quando se vê, tá mudado. Ou simplesmente pintar porque a parada tá suja mesmo. Afasta os móveis. Empurra para lá e empurra para cá. Quem sabe atrás daquele armário, atrás da estante ou até atrás do teu guarda-roupas, que foram afastados pra que a parede de trás também fosse pintada, você não encontre alguma coisa. Uma foto, uma carta, um papel qualquer ou até mesmo uma “pichação”, feita em algum dia especial. Na tarde de um sábado talvez, depois de um dia inteiro de exaustão causado pela pintura. Depois de dias atrás discutindo a cor que ficaria mais legal e bacana na parede do quarto. Depois de algumas brigas e discussões banais. Depois de um cabelo pintado, de um braço manchado e uma pinta clássica de tinta na ponta do nariz.
Depois de um dia inteiro cansativo onde a noite chega e a pintura se perde entre beijos e suspiros atrás do guarda-roupas afastado para que a parede de trás também fosse pintada. Guarda-roupas esse que ganhou tinta também na parte de trás, onde ficam até hoje gravados em palavras o sentimento do momento. Mas só descobertos e lembrados depois de um certo tempo, quando a gente nem sequer lembrava que ali, atrás do guarda-roupa bem perto da gente, estaria uma declaração.
Descoberta essa que nos faz lembrar de momentos, os mais variados. Tanto bons quanto os não tão bons. Mas lembrados com carinho e com saudade. Como se tudo o que foi feito, pensado e vivido até aquele momento parassem por um instante. Mesmo que na lembrança. Mas a certeza que tudo “era verdade”. E lembrar que naquele momento o tempo também parou.
Vai lá, arreda teu guarda-roupas e vê se você não descobre nada perdido atrás dele!!! Ou arreda nem que seja para pintar a parede.

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