EMBAIXADOR JOÃO ALMINO – O novo Cônsul-Geral do Brasil em Madrid
“A PRIORIDADE ABSOLUTA DO CONSULADO NESTE MOMENTO É CONSEGUIR REALIZAR UM TRABALHO MAIS RÁPIDO VOLTADO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS QUE OS BRASILEIROS NECESSITAM.”
Por Frazão Araújo
Foto: Backhaus
O diplomata João Almino é o atual Cônsul-Geral em Madrid. Nascido em 1950 em Mossoró, no Rio Grande do Norte, especialista em história e filosofia política e apaixonado por fotografia, João Almino já foi professor nas universidades Nacional do México, Nacional de Brasília, Berkeley e Stanford, além do Instituto Rio Branco. Também foi Ministro- Conselheiro em Londres e Cônsul-Geral em São Francisco, Lisboa, Miami e Chicago.
Mas sua movimentada atividade profissional, no entanto, não para por aí. Ele também é escritor, sendo autor de vários romances premiados tais como: Ideias para onde passar o fim do mundo (indicado ao Prêmio Jabuti, e ganhador do Prêmio do Instituto Nacional do Livro e do Prêmio Candango de Literatura), Samba- Enredo, As cinco estações do amor (Prêmio Casa de las Américas 2003, publicado no México, na Argentina, nos EUA e em breve na Itália), O livro das emoções (indicado para o 7º Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2009 e o 6º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura 2009) e Cidade Livre (Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura como melhor romance publicado em língua portuguesa nos últimos dois anos. Seus escritos de história e filosofia política são referência para os estudiosos do autoritarismo e da democracia. É também autor de livros de ensaios literários.
Além de toda essa bagagem cultural, João Almino, apesar do pouco tempo em que está liderando as atividades do Consulado do Brasil em Madrid, já demonstra que pretende fazer o que estiver ao seu alcance para resolver as pendências e acabar com a lentidão nos serviços desta repartição. Desejemos-lhe, para o bem da nossa comunidade, muito sucesso e demos-lhe as boas-vindas!
BCZ – Escritor e diplomata, como conciliar estas duas carreiras?
JA – Eu comecei a escrever muito cedo, embora o trabalho de ficção eu tenha começado mais tarde. Mas sempre tentei conciliar esses dois interesses desde que sou diplomata. Diariamente distribuo meu tempo para que seja possível essa conciliação. Sempre escrevo pala manhã, bem cedo, às vezes por cerca de 3 horas antes de vir ao trabalho. Ao fim do dia leio, mas não escrevo. Foi a fórmula que descobri para poder conciliar meu trabalho de diplomata e escritor.
BCZ – Como escritor, conte-nos umpouco sobre suas indicações, prêmios, etc.
JA – Minha obra mais recente, Cidade Livre, um romance, acabou de receber o Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de literatura 2011, que é considerado o prêmio de melhor literatura romance em língua portuguesa. O mesmo está também como finalista de outros dois prêmios no Brasil: Prêmio Portugal Telecom e Prêmio Jabuti. Dos livros anteriores, As cinco estações do amor recebeu o Prêmio Casa de las Américas, em 2003.
BCZ – Atualmente, qual é o seu livro de cabeceira?
JA – Estive relendo alguns clássicos espanhóis. Quando soube que viria à Madrid, decidi reler Dom Quijote. Tenho lido obras relativas à cultura espanhola, mas sigo mais de perto a literatura mexicana e argentina.
BCZ – Quais as suas primeiras impressões ao assumir o Consulado em Madrid?
JA – É um dos grandes consulados da rede consular, especialmente na quantidade de trabalho acumulado. Há muito documento para ser processado e é muito grande o número de brasileiros que temos que atender. Notei que o crescimento da demanda dos serviços foi muito grande em pouco tempo, o que resultou em um descompasso entre os meios necessários para atender essa demanda. Mas isso está sendo corrigido precisamente neste momento, e eu espero que possamos prestar, a partir do início do próximo ano, uma assistência mais rápida do que a que está sendo feita hoje.
BCZ – Mas o Consulado detectou o porquê dessa demanda? Isso significa dizer que muitos brasileiros continuam vindo residir na Espanha?
JA – Nessa última década houve um grande aumento do número de brasileiros aqui na Espanha e o que constatamos é que a demanda pelos serviços consulares não tem diminuído. Por exemplo, o número de passaportes que é solicitado aqui diariamente é de fato muito grande. Nesses últimos dias temos recebido mais de 100 pedidos diários, somente em Madrid.
BCZ – Que desafios lhe esperam neste último trimestre e quais as suas expectativas nesta sua gestão?
JA – Eu diria que a prioridade absoluta do Consulado neste momento é conseguir realizar um trabalho mais rápido voltado para a prestação dos serviços que os brasileiros necessitam. Nós estamos nesse momento com uma “fila virtual”, relativamente grande, de documentos para serem processados. Também temos como objetivo a criação de um banco de dados que possa servir à comunidade brasileira. Outro objetivo é pôr em prática um projeto de auxílio às mulheres e outros contingentes, que está sendo desenvolvido com o Itamaraty e o Ministério da Justiça.
BCZ – Nestes primeiros meses de sua gestão, já contamos pelo menos quatro reuniões, onde a pauta gira em torno ao tráfico e exploração de pessoas, um assunto recorrente quando se refere a imigrantes. O que realmente está sendo feito para amenizar este problema? Como essas supostas vítimas são identificadas?
JA – O trabalho do Consulado não é investigativo neste assunto. O que podemos fazer é dar auxílio, informando sobre onde essas pessoas podem buscar ajuda. Nós temos aqui no Consulado um setor de assistência aos brasileiros que está voltado pra isso, precisamente. Além disso, temos contatos com várias associações que podem nos trazer uma informação relevante que possa nos levar a uma prestação de auxílio mais precisa por parte do Consulado.
“A PRIORIDADE ABSOLUTA DO CONSULADO NESTE MOMENTO É CONSEGUIR REALIZAR UM TRABALHO MAIS RÁPIDO VOLTADO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS QUE OS BRASILEIROS NECESSITAM.”
BCZ – Não parece um pouco conveniente que estas supostas vítimas optem por vir exercer a prostituição em países como a Espanha e, após frustrarem os seus planos, recorram à ajuda das autoridades? Este tipo de auxílio não fragiliza a nossa sociedade sem atingir a raiz do problema, no caso, a adequada informação e medidas preventivas no país de origem?
JA – Esse trabalho informativo está sendo feito no Brasil, através do Ministério da Justiça. Podemos ver nos aeroportos cartazes com informações e mais coisas certamente devem ser feitas nessa linha. Também a Polícia Federal tem feito atividades para combater o tráfico.
BCZ – O que o senhor poderia dizer aos brasileiros que vivem na Espanha, com respeito às suas queixas sobre a atenção dispensada a eles pelo Consulado como, por exemplo, o enorme tempo em que se tarda em conseguir uma “cita” para solicitar um passaporte?
JA – Essa espera será reduzida muito em breve. E aqueles que necessitem esses serviços já podem começar a testar isso, porque os agendamentos já estão sendo feitos para prazos muito mais curtos. Então esse problema vai se atenuar enormente.
Outra coisa que gostaria de dizer é que o Consulado está de braços abertos para a comunidade brasileira, está sempre disposto a prestar seus serviços da maneira mais gentil e eficiente. Em qualquer caso excepcional em que algum brasileiro sinta que seu pedido não tenha sido bem atendido, o Consulado coloca a disposição de todos eles uma ouvidoria consular. Na própria sala de recepção do consulado existe uma caixa onde os brasileiros podem escrever suas queixas e sugestões (e também através de email), e eles podem estar certos de que isto ser lido e sempre que possível alguma providência será tomada, se de fato nós verificarmos que algo possa ser feito em relação àquele caso.
BCZ – O senhor está aqui exercendo seu trabalho há apenas dois meses. Podemos ver nesse tempo algumas melhorias notáveis. O senhor diria que houve negligência por parte da anterior administração, visto que o anterior embaixador esteve aqui por quase dois anos?
JA – Não. Os problemas que eventualmente possam ter surgido foram estruturais. Como você bem salientou, houve um momento aqui que o volume de serviço foi tanto que se formavam filas até fora do consulado. O Consulado corrigiu isso fazendo com que o trabalho fosse mais organizado e criaram-se as “filas virtuais”. O que acontece nesse momento, não é somente consequência de eu estar chegando. Foram verificadas a necessidades e o próprio Itamaraty se deu conta de que era muito importante que conseguíssemos resolver essas questões pendentes. Não sou eu sozinho tentando resolver. Eu sou apenas o instrumento de uma política de governo, do Itamaraty, como forma de atender às comunidades brasileiras no exterior e, obviamente, eu conto com minha equipe aqui que é muito competente. Conto também com a boa vontade da própria comunidade e a colaboração do Conselho de Cidadãos. Temos ainda que unir forças, detectar quem pode colaborar para conseguir melhorar ainda mais nosso trabalho.
BCZ – Para finalizar: O Consulado tem intenção de mudar suas instalações ou isso é boato?
JA – Vamos ver com calma. Sobre isso eu não falo. Se algum dia for acontecer, será amplamente anunciado. Mas por enquanto não.












